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Sobre partidas e orquídeas
tarde da noite quando me ponho a olhar o céu
as constelações me escrevem teu nome
as lembranças do nosso nós se esvaem na fumaça do cigarro que acendo
troco a música que toca pra que ao menos o teu gosto saia da minha boca
respiro fundo e volto a te sentir como se a janela do tempo nunca tivesse se aberto e se fechado
mas,
eu, apesar de te querer, preciso te deixar ir
ir por que a dor que carrego no peito é fugaz e atordoa, bagunça a casa
e eu, em pedaços, não poderia te desejar bagunça e caos
você precisa ir,
mas volta pra contar que viu o mundo todo na palma das tuas mãos
que tocou em todas as texturas que teus dedos poderiam rastrear
que andou por todo chão bruto e de terra que teus pés conseguiram passar
vai,
e volta dizendo que provou todos os lábios, de todas as polaridades, e mesmo assim, voltou pra colar no meu
te deixo ir, te levo no ponto de ônibus e cochicho em teu ouvido: “o mundo é pequeno demais pra você”
mas agora eu preciso, ir
Ir por que logo chego em casa para encontrar com todos os teus fantasmas que ficaram impregnados em cada mísero centímetro do meu papel de parede
agora eu preciso ir por que amanhã vou ocupar o meu dia regando as plantas que tu deixou espalhadas pela sacada.
Te encontro no próximo carnaval, quando a tua orquídea começar a florescer.
- L.
“A saudade dura mais tempo que o amor.”